A gente nunca sabe se vai ou se fica, se corre ou se anda, se vai pra frente ou vai pra trás. A gente nunca sabe. Mesmo quando acha que sabe, só acha. Achamos demais. Achamos que sabemos, achamos que queremos, achamos que podemos. Mas a gente só acha. E, no meio disso tudo, achei você. E eu acho que é o suficiente; mas só acho.
Me perdoe pelas vezes que de tanto querer leveza acabei pesando a mão. De tanto querer sentir, pensei sobre como estava sentindo, e perdi o sentimento. Ou senti sem pensar e isso […] Me perdoa por eu querer de uma forma tão intensa tocar em você que te maltrato. Minha mão acostumada com um mundo de chatices e coisas feias fica tão gigante quando pode tocar algo lindo e puro como você, que sufoca, esmaga e estraçalha. Me perdoe pela loucura que é algo tão pequeno precisando de amor e ao mesmo tempo algo tão grande que expulsa o amor o tempo todo. Eu sou uma sanfona de esperança. Eu tenho estria na alma.
Ela adorava quando tentavam falar dela porque sabia que, na verdade, nunca conseguiriam descrevê-la e limita-la a uma coisa só; ela era, e apenas ela sabia, uma mutante incansável: mudava tudo que podia antes que mudassem ela. Porque essa era a lei da vida, pelo menos da vida dela; e então ela mudava... a cor e a música favorita, o jeito de se vestir, o jeito de encarar o mundo. Em dias nublados, se considerava completamente positiva e, em dias de sol, virava uma pessimista infernal. E em outros dias, achava aquela história do copo meio cheio ou meio vazio uma completa perda de tempo e preferia definir como "apenas um copo com água".
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